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Remessa Internacional Enviar e receber do exterior
Entrada de recursos

Receber dinheiro do exterior com origem documentada

O caminho inverso da remessa tem alíquota menor — 0,38% — e uma exigência maior: explicar de onde o crédito veio. Quem organiza isso no primeiro recebimento não organiza nunca mais.

Ponte estaiada iluminada atravessando um rio ao amanhecer, ligando duas margens de uma grande cidade.

Receber dinheiro do exterior no Brasil é uma operação de câmbio de entrada: os recursos chegam em moeda estrangeira, são convertidos em reais e creditados na conta do beneficiário. O IOF é de 0,38% sobre a conversão, e a operação gera contrato de câmbio — o documento que comprova a origem do crédito.

Quem recebe

Quatro situações, o mesmo caminho

A operação é a mesma; o que muda é o documento que explica a origem. Ele é o que transforma um crédito em uma entrada formalizada.

Serviço prestado a cliente de fora

Desenvolvedores, designers, consultores, agências e estúdios que faturam em moeda estrangeira. Documento típico: contrato, proposta aceita ou invoice emitida ao cliente.

Recebimento de familiar no exterior

Ajuda enviada por parente que mora fora, com regularidade ou não. Documento típico: comprovação do vínculo familiar e da residência de quem envia.

Aposentadoria, pensão ou aluguel

Renda recorrente originada fora do Brasil. Documento típico: comprovante do benefício, contrato de locação ou extrato da fonte pagadora estrangeira.

Exportação de mercadoria

Pagamento de comprador estrangeiro pela mercadoria embarcada. Documento típico: invoice comercial e a documentação aduaneira da exportação.

Como acontece

Do crédito no exterior à conta no Brasil

  1. Quem envia recebe os seus dados

    O pagador no exterior precisa dos dados completos de destino. Nome exatamente como registrado, banco, conta e códigos internacionais — os mesmos cuidados de um envio, com os papéis invertidos.

    Nome incompleto ou com abreviação é o motivo número um de crédito devolvido antes mesmo de chegar ao Brasil.
  2. Os recursos chegam em moeda estrangeira

    O valor entra no sistema em dólar, euro ou na moeda de origem. É aqui que eventuais tarifas de banco intermediário já foram descontadas no trajeto — o que chega pode ser menor do que o que saiu, e isso não acontece no Brasil.

  3. A conversão vira contrato

    A operação de câmbio converte a moeda em reais, com IOF de 0,38% retido, e gera o contrato com taxa, valor e origem declarada. É esse documento que responde à pergunta "de onde veio esse dinheiro" quando ela aparecer.

  4. O crédito entra na sua conta

    O valor líquido em reais é creditado na conta do beneficiário. Recebimentos recorrentes da mesma origem repetem o caminho sem refazer cadastro nem documentação.

Quem trabalha para fora

A pasta que salva a declaração

Prestar serviço para cliente estrangeiro virou rotina em muitos setores no Brasil. O câmbio é a parte simples; a parte que dá trabalho é reconstruir, um ano depois, a que trabalho corresponde cada crédito recebido.

  • Um documento de origem por recebimento: contrato, proposta ou invoice.
  • O contrato de câmbio correspondente, arquivado junto.
  • A mesma ordem cronológica que o contador vai usar depois.
  • Recebimentos recorrentes na mesma finalidade, para não reabrir cadastro a cada mês.

O que declarar, e como, é assunto do seu contador. O papel da operação de câmbio é produzir a prova documental que ele vai usar — e produzir sempre, não só quando alguém pede.

Mesa de trabalho escura vista de cima, com notebook fechado, caderno em branco, caneta e xícara de café.
Perguntas frequentes

Receber do exterior: o que aparece na prática

Recebi menos do que foi enviado. O que aconteceu?

Três causas cobrem quase todos os casos. A primeira é a tarifa de banco intermediário, retida no caminho quando não há relação direta entre a instituição de origem e a de destino. A segunda é a conversão em duas etapas, quando a moeda enviada não é a da conta. A terceira é a taxa de câmbio aplicada na conversão para reais, diferente da cotação de mercado que você viu na internet.

O contrato de câmbio mostra exatamente qual taxa foi aplicada na sua operação — é por ele que se descobre onde a diferença aconteceu.

Freelancer que atende cliente de fora precisa formalizar como?

O recebimento é uma operação de câmbio e gera contrato, independentemente do valor. O ponto que costuma pegar não é o câmbio em si, e sim a documentação do serviço prestado: contrato, proposta aceita ou invoice que ligue o crédito recebido a um trabalho identificável.

Quem organiza isso desde o primeiro pagamento não tem trabalho nenhum na declaração anual. Quem deixa para depois passa o ano seguinte procurando e-mail antigo.

O IOF de 0,38% é cobrado de quem envia ou de quem recebe?

De quem recebe no Brasil, porque é aqui que a operação de câmbio acontece. O valor é retido na conversão dos recursos para reais.

Quem enviou, no exterior, não paga IOF — é um tributo brasileiro sobre a operação de câmbio, não sobre a transferência internacional.

Preciso ter conta em dólar para receber?

Não. O caminho mais comum é o recurso chegar em moeda estrangeira, ser convertido na operação de câmbio e creditado em reais na sua conta bancária no Brasil. Conta em moeda estrangeira é uma possibilidade, não um requisito.

O que importa é a titularidade: o beneficiário do crédito precisa ser o mesmo titular da conta de destino.

Recebo todo mês do mesmo cliente. Simplifica?

Simplifica bastante. Recebimentos recorrentes com a mesma origem e a mesma natureza reaproveitam cadastro e documentação: a cada crédito se confirma valor e taxa do dia.

É o padrão de quem presta serviço continuado para cliente no exterior, e também de quem recebe pensão, aposentadoria ou aluguel de imóvel fora do Brasil.

Existe limite de valor para receber?

Não há teto fixo em lei. Como no envio, o que cresce com o valor é a documentação que explica a origem do crédito: contrato, invoice, comprovante de venda, decisão judicial, documento de herança.

Recebimentos altos sem documento de origem não são proibidos — são apenas impossíveis de formalizar até que o documento apareça.

Atendimento humano

Vai receber do exterior pela primeira vez?

Conte a origem do crédito e a moeda. Explicamos quais dados passar a quem vai enviar, o que preparar de documentação e quanto entra na sua conta depois do IOF de 0,38%.

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